desenhos | auto-retratos

PT
Esta coleção reúne diversos desenhos de auto-representação que podem ser exibidos de forma isolada ou em conjunto, em diferentes exposições ou outros tipos de eventos. Além disso, podem ser desenvolvidos no contexto de residências artísticas para outros projetos ou integrar publicações diversas.
Trata-se, portanto, de um projeto processual, em constante atualização, transformação e adaptação, assumindo múltiplas formas ao longo do tempo.


ENG
This collection brings together various self-representation drawings that can be displayed individually or collectively in different exhibitions or other types of events. Additionally, they can be developed within the context of artistic residencies for other projects or featured in various publications.
Therefore, this is a process-based project, subject to constant updating, transformation, and adaptation, taking on multiple forms over time.


2018 - Desenho criado a propósito da divulgação da performance MAGMA | no limite da Selvajaria, com apresentação no TECA / TNSJ (Porto)


2019 - Desenhos expostos na exposição "Desenhos" com curadoria de Flávio Rodrigues na Galeria Geraldes da Silva (Porto)


2020 - Desenhos expostos na exposição "Bailarinos e coreógrafos que dançam" em CAAA (Guimarães) com curadoria de Miguel Moreira (Útero);


2024 - Desenhos criados e publicados no livro "Performances no Contemporâneo" de Né Barros e Eugénia Vasques - uma edição de Flávio Rodrigues;


2025 - Exposição Desenhos | auto-retratos

Estúdios Victor Cordon (Lisboa), com curadoria de Carlota Lagido (de 7 de Março a 2 de Maio)

Desenhos | Auto-retratos intitula uma composição de desenhos.
Numa primeira etapa do processo criativo, à semelhança de projetos precedentes, emerge o contato com os materiais por meio da caminhada e da deriva. Nesses percursos exploratórios, os materiais assumem proeminência — cartões, folhas e outros suportes descartados no lixo ou deixados à porta de lojas e armazéns — recolhidos como fragmentos de uma paisagem urbana visível, mas frequentemente negligenciada, marginalizada ou considerada indesejada.
Esses materiais constituem a base para a criação. Ademais, utilizo para a demarcação dois lápis oferecidos pelo meu pai, cujo ofício é a marcenaria. Trata-se do tradicional lápis vermelho de forma retangular, amplamente utilizado em fábricas e na construção civil, conhecido como lápis de carpinteiro. Além disso, também recorri, no processo, à máquina de costura, reutilizando linhas e outros materiais, como tinta ou canetas, igualmente encontradas na marcenaria ou em contextos de lixo.
Subsequentemente, no meu quarto, enquanto espaço de maior intimidade para mim, as demarcações desvelam numa reflexão sobre a auto-representação. Aqui, o meu corpo inscreve-se nos traços e nas formas. A presença física revela-se, não apenas na ação ou no gesto, mas também nas marcas que se expandem para além dos contornos do próprio corpo. Cada desenho concretiza-se, assim, como uma matriz e extensão dessa presença, traduzindo uma possível captação que oscila entre a corporeidade e a sua ausência — habitando um "entre". Um corpo nu e a nu.
Por fim, a lógica que permeia todos esses elementos é o uso de uma linha contínua e ininterrupta. Este traçado desdobra-se de forma constante e incessante, como um fluxo rítmico e pulsante. A linha, embora finda por necessidade de conclusão, revela no seu percurso uma circularidade potencialmente infinita, que se reinventa a cada volta — uma tensão entre permanência e transformação.